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Jurídico

Verificação de conflito · antes de aceitar a causa

A verificação de conflito varre as partes de todos os casos do escritório, inclusive os que você não pode ver, e devolve só o metadado: existe conflito, qual o risco, por qual motivo e para quem escalar. Explica quando rodar, como ler o resultado e como registrar a decisão de forma inalterável.

O problema que ela resolve

Aceitar um cliente que litiga contra outro cliente do escritório é uma das falhas mais caras da advocacia. E o conflito costuma estar escondido justamente onde você não pode olhar: em um caso sigiloso de outro sócio, atrás da parede ética.

A verificação de conflito resolve esse impasse. Ela consulta as partes de todos os casos do escritório, sem exceção, mas o que devolve a você é apenas metadado. Você descobre que existe um conflito e para quem levar o assunto; você não descobre quem é a parte do outro caso nem o que ele trata. O sigilo permanece intacto e o gate funciona.

Quando rodar

  • Antes de aceitar qualquer novo cliente ou nova causa.
  • Antes de incluir uma parte contrária nova em um caso já em andamento.
  • Quando surgir uma empresa do mesmo grupo econômico de alguém que você já atende.
  • Sempre que a proposta chegar por indicação e você não tiver certeza de quem está do outro lado.

Como rodar

  1. Abra Jurídico. O bloco Verificação de conflito fica no topo da tela.
  2. Preencha o Nome do candidato, ou seja, a pessoa ou empresa que você quer triar.
  3. Preencha Identificadores com documentos, e-mail ou outros códigos, um por linha. Esse campo é o que mais aumenta a precisão.
  4. Clique em Verificar conflito.
  5. Leia a tabela do resultado, com as colunas Caso, Papel, Risco e Motivos.

Quando nada é encontrado, a tela responde que nenhum conflito foi encontrado. Isso não é uma autorização automática para aceitar: é a ausência de coincidência nos dados que o escritório cadastrou.

Como ler o resultado

Cada linha é um encontro. A coluna Caso identifica o caso conflitante e a coluna Papel diz o papel daquela parte nele, por exemplo cliente, parte contrária ou testemunha. A coluna Risco classifica em Alto, Médio ou Baixo. A coluna Motivos explica por que o sistema desconfiou.

  • Identificador compartilhado: o documento ou o e-mail informado é o mesmo de uma parte já cadastrada. É o sinal mais forte.
  • Nome exato: o nome bate integralmente após normalização de acentos, maiúsculas e pontuação.
  • Nome semelhante: os nomes compartilham parte significativa dos termos. Útil contra abreviações e razão social parcial, e é o motivo que mais produz homônimo.

O resultado também aponta a quem escalar: o responsável pelo caso conflitante. Essa é a informação prática. Você não vai discutir o caso do colega, você vai levar a decisão a quem pode tomá-la.

💡 A comparação de nomes ignora acentos, maiúsculas e pontuação, e os identificadores são comparados como texto exato. Cadastre documentos sem depender do formato: o que importa é que a mesma sequência seja usada em todo o escritório.

Registrar a decisão

Verificar não basta; o que protege o escritório é o registro do que foi decidido. Depois de rodar a triagem, use o bloco Registrar decisão para o nome consultado e escolha um dos três desfechos.

  • Liberado: não há conflito que impeça a aceitação.
  • Waiver: existe conflito, mas as partes envolvidas concordaram formalmente com a atuação.
  • Recusado: o escritório não aceita a causa.

Cada decisão registrada é encadeada à anterior, formando uma sequência verificável: alterar ou apagar um registro antigo quebra a cadeia e fica evidente. Junto da decisão fica congelado o resumo do que foi triado. Em uma eventual apuração, o escritório demonstra não só o que decidiu, mas o que sabia no momento em que decidiu. O histórico aparece na própria tela, em Histórico de decisões.

Exemplo: Chega ao escritório a Transbrasa Logística, querendo entrar com ação contra um transportador. Antes de aceitar, o sócio digita Transbrasa Logística em Nome do candidato e cola o documento da empresa em Identificadores. O resultado traz uma linha: risco Alto, papel parte contrária, motivo identificador compartilhado, e aponta a advogada Helena como responsável pelo caso conflitante. O sócio fala com Helena, o escritório recusa a causa, e ele registra a decisão como Recusado. Em nenhum momento ele soube qual é o caso de Helena nem quem é o cliente dela.

O que a verificação não faz

  • Não bloqueia sozinha a criação de um caso. Ela informa e registra; a decisão é do escritório.
  • Não revela o nome da parte conflitante nem o conteúdo do caso, por desenho.
  • Não consulta bases externas, tribunais nem listas públicas. Ela olha o que o seu escritório cadastrou.
  • Não entende grupo econômico automaticamente. Empresas do mesmo grupo com nomes e documentos diferentes precisam ser triadas uma a uma.

Perguntas frequentes

  • O resultado veio vazio, posso aceitar? Só significa que não houve coincidência nos dados cadastrados. Se as partes dos casos antigos foram cadastradas de forma incompleta, o alcance da triagem é menor.
  • Apareceu um risco alto que é claramente homônimo. Registre a decisão como Liberado e descreva o motivo. O registro é a sua defesa depois.
  • Posso apagar uma decisão registrada errada? Não. A sequência é inalterável de propósito. Registre uma nova decisão para o mesmo nome; o histórico mostra as duas, na ordem.
  • Por que a linha não mostra o nome da outra parte? Porque mostrar quebraria o sigilo do outro caso. Você recebe o suficiente para escalar.
  • Preciso rodar de novo se o caso demorar a fechar? Vale rodar de novo antes de assinar. O escritório aceita casos novos o tempo todo, e o quadro pode ter mudado.

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